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Segurança 12 min 22/06/2026674 palavras

Segurança na soldagem: NR-06, NR-18, NR-33 e a rotina que evita acidente grave

Guia prático de EPI, ventilação, sinalização e procedimentos exigidos pelas Normas Regulamentadoras brasileiras para operações de solda. Com checklist de conformidade.

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Soldagem industrial concentra riscos de queimadura, radiação UV, choque elétrico, inalação de fumos metálicos e explosão em espaço confinado. As Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho estabelecem exigências específicas para cada risco. Este guia consolida as NRs aplicáveis, o EPI mínimo, os procedimentos exigidos e um checklist para auditar sua operação antes que um acidente ou uma fiscalização o façam por você.

01

NR-06: EPI mínimo para operação de solda

Máscara de solda com filtro adequado ao processo: DIN 10 a 13 para MIG/TIG, DIN 11 a 12 para eletrodo revestido. Máscaras auto-escurecedoras com tempo de reação abaixo de 1ms são padrão de mercado.

Vestimenta de raspa (calça, jaqueta ou avental) certificada para trabalho a quente. Roupa de trabalho comum não resiste à radiação térmica prolongada.

Luvas de raspa cano longo para proteção do antebraço. Trocar assim que apresentar furo ou queima passante.

Botina de segurança com biqueira composite ou aço, cano acima do tornozelo, com bico fechado. Botina baixa deixa o pé exposto a respingo.

Protetor auricular quando trabalha próximo a esmerilhadeira ou goivagem — a soldagem em si não gera ruído crítico, mas a operação combinada, sim.

Todos os EPIs precisam ter CA (Certificado de Aprovação) válido registrado no MTE. Guarde a ficha de EPI assinada pelo trabalhador.

02

NR-18: obra da construção civil

Em canteiro de obra, soldagem exige área isolada com biombos ou cortinas para proteger terceiros da radiação do arco. A cortina padrão é PVC laranja translúcido, específica para bloqueio de UV.

Extintor de CO₂ ou pó químico ao alcance imediato do posto de solda. Nada de improvisar com extintor de água em risco elétrico.

Sinalização de risco elétrico e radiação óptica visível na entrada da área de trabalho.

Trabalho em altura acima de 2m exige cinturão de segurança tipo paraquedista com trava-quedas e ponto de ancoragem homologado — não pode enganchar em tubulação ou estrutura provisória.

03

NR-33: espaço confinado, o risco que mata

Soldagem dentro de tanque, silo, caldeira, vaso de pressão ou galeria é operação em espaço confinado. Exige Permissão de Entrada e Trabalho (PET) assinada, medição de atmosfera antes da entrada, ventilação forçada durante a operação e vigia externo permanente.

Os riscos combinados são: deficiência de oxigênio (fumos consomem O₂), atmosfera explosiva (residuais de combustível), inalação de fumos metálicos concentrados e superaquecimento por falta de ventilação.

Nunca inicie solda em espaço confinado sem: (1) medição de O₂, gases inflamáveis e tóxicos com detector calibrado; (2) sistema de exaustão local instalado; (3) supervisor de entrada e vigia treinados em NR-33.

04

Fumos de solda: o risco silencioso

Fumos metálicos de soldagem contêm óxidos de ferro, manganês, cromo, níquel e outros elementos dependendo do material base e do consumível. Exposição crônica está associada a doença pulmonar obstrutiva, siderose e câncer.

A prevenção correta segue hierarquia: (1) substituição de consumível por versão de baixo fumo quando possível; (2) exaustão local no ponto de geração; (3) ventilação geral do galpão; (4) máscara PFF2 ou PFF3 com filtro específico como última barreira.

Ventilar apenas com ventilador de parede não resolve. O fumo precisa ser capturado no ponto de origem por braço aspirador ou mesa aspirante.

05

Risco elétrico: o que pouco soldador leva a sério

Máquinas de solda operam com tensão a vazio entre 60 e 90V DC. Em ambiente úmido ou com o operador suando, essa tensão já é suficiente para provocar choque grave.

Cabo terra deve ser conectado o mais próximo possível do ponto de solda, com garra em bom estado. Retorno pela estrutura da fábrica é irregular e perigoso.

Cabos com isolamento danificado, conectores oxidados ou emendas improvisadas são causa comum de choque. Inspeção diária antes do turno é obrigação, não sugestão.

06

Checklist rápido: sua operação está em conformidade?

☐ Todos os soldadores com CA de EPI em dia e ficha assinada

☐ Máscara auto-escurecedora com DIN correto para o processo

☐ Extintor de CO₂ ou pó no raio de 5m do posto de solda

☐ Exaustão localizada operante em todos os pontos de solda

☐ Biombos de PVC laranja isolando visualmente cada posto

☐ Cabos de solda inspecionados no início de cada turno

☐ PET assinado antes de qualquer trabalho em espaço confinado

☐ Medidor de atmosfera calibrado e operável para NR-33

☐ Treinamento NR-06, NR-18 e NR-33 documentado por trabalhador

☐ PGR e PCMSO da empresa cobrindo o risco de soldagem

Perguntas frequentes

Qual DIN de máscara usar em cada processo?

MMA (eletrodo revestido) até 100A usa DIN 10; acima disso, DIN 11 a 12. MIG/MAG usa DIN 11 a 13 conforme a corrente. TIG começa em DIN 10 e sobe conforme a corrente. Máscaras auto-escurecedoras têm ajuste variável.

Preciso de exaustão em toda solda?

Sim, sempre que houver operação recorrente. Para solda ocasional em área bem ventilada, máscara PFF2 pode ser aceitável, mas a exaustão localizada é o padrão exigido para operação industrial contínua.

Quem pode assinar a Permissão de Entrada em Trabalho de NR-33?

Supervisor de entrada treinado e certificado no curso NR-33 do Ministério do Trabalho, com carga horária mínima de 40h. A empresa precisa manter registro do treinamento e do certificado.

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