Porosidade é o defeito mais comum e mais indesejado da soldagem industrial. Cordão poroso reprova em END radiográfico, exige remoção total e refazimento. Este guia lista as 8 causas reais em ordem de frequência, com o diagnóstico técnico e a ação corretiva imediata para cada uma.
1. Vazão de gás incorreta (35% dos casos)
Vazão baixa (< 10 L/min) permite atmosfera contaminar a poça. Vazão alta (> 22 L/min) gera turbulência que suga ar externo para dentro da poça.
Solução: rotâmetro calibrado ajustado entre 12 e 18 L/min para MIG; 8 a 14 L/min para TIG. Meça no bico da tocha, não na saída do cilindro.
2. Contaminação do metal base (25% dos casos)
Óleo, tinta, óxido pesado, umidade, resíduo de decapagem — qualquer contaminante volatiliza no calor do arco e vira gás preso no cordão.
Solução: escovamento com escova de aço inoxidável (nunca escova de aço carbono em inox — contamina), remoção de tinta com esmerilhamento até metal branco, secagem com maçarico se a peça esteve ao tempo.
3. Corrente de ar no ambiente (15% dos casos)
Ventilador industrial ligado próximo, portão aberto criando corredor de vento, ventilação forçada mal direcionada — qualquer corrente acima de 2 m/s no ponto de solda arrasta o gás de proteção.
Solução: biombo de solda ao redor do posto, desligar ventilador durante a soldagem, redirecionar exaustão para não passar sobre a poça.
4. Arame ou eletrodo úmido (10% dos casos)
Bobina de arame MIG estocada em local úmido oxida o cobreamento. Eletrodo revestido úmido libera hidrogênio no arco.
Solução: bobinas em armário fechado com desumidificador; eletrodos básicos sempre em estufa 150°C; substituir bobina que ficou aberta mais de 30 dias em Bauru.
5. Gás fora de especificação (5% dos casos)
Cilindro com contaminação, mistura errada no fornecedor, argônio industrial em vez de 4.6 no TIG.
Solução: exigir certificado de análise do fornecedor; para TIG e MIG alumínio, apenas argônio 4.6 ou superior.
6. Bico e capa da tocha desgastados (5% dos casos)
Bico de contato oxidado ou fora de centralização gera arco instável. Capa difusora entupida por respingo cria fluxo turbulento de gás.
Solução: trocar bico a cada 40h de arco; limpar difusor com jato de ar seco a cada troca de bobina.
7. Ângulo e distância da tocha (3% dos casos)
Tocha muito inclinada (mais de 20° do vertical) reduz cobertura de gás. Distância bico-peça acima de 20mm quebra proteção.
Solução: manter tocha entre 10° e 15° do vertical, distância entre 8mm e 15mm da peça.
8. Máquina fora de calibração (2% dos casos)
Rara, mas real. Inversora com sensor de corrente descalibrado entrega corrente diferente da mostrada no display, alterando transferência metálica.
Solução: revisão anual de bancada com alicate amperímetro industrial. Locação com contrato de manutenção elimina esse risco.
Perguntas frequentes
›Porosidade sempre reprova em END?
Depende da norma. ASME e AWS D1.1 têm critérios de aceitação por tamanho e distribuição. Porosidade agrupada em cluster geralmente reprova; porosidade dispersa isolada pode ser aceita.
›Como identificar porosidade sem raio-X?
Visual: pontos escuros ou crateras superficiais. Líquido penetrante: revela porosidade aberta na superfície. Ultrassom industrial detecta porosidade interna sem custo de radiografia.
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